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Ativos mais baratos atraem estrangeiros

07 de maio de 2015
PacaembuCNC

Redação Brasil Econômico
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As incertezas sobre o ambiente político-econômico e a recente desvalorização do real ante o dólar têm contribuído para depreciar o preço dos ativos brasileiros. Se para as empresas esse é um momento ruim, para os investidores estrangeiros é uma boa oportunidade de adquirir ativos com potencial de crescimento por um custo mais acessível. Embora os estrangeiros continuem atentos ao cenário macroeconômico e, em alguns casos, com alguma resistência em aportar recursos no Brasil, a farta liquidez global faz com que os negócios brasileiros sigam no radar dos investidores.

Segundo Relatório de Fusões e Aquisições da PricewaterhouseCoopers (PWC), dos 189 negócios fechados entre janeiro e março, 167 tiveram a origem do capital identificado. Destes, os investidores estrangeiros participaram de 51% dos negócios e os nacionais ficaram com 49%.

Outro levantamento, do blog Fusões e Aquisições, mostra que somente no mês passado foram realizados 66 operações, o que corresponde a um investimento de cerca de R$ 11,2 bilhões. Os números representam uma queda em relação ao mês anterior de 21,4% em número de operações e de 71% no valor. Nos primeiros quatro meses do ano, no entanto, foram registradas 254 operações, uma expansão de 26,4% sobre o total de transações realizadas no mesmo período de 2014.

De acordo com o blog, os setores de tecnologia da informação, alimentos e bebidas e outros, foram os que mais apresentaram operações. O maior apetite no mês passar ficou por conta do investidor estratégico, com 55 operações (83,3%). Os estrangeiros responderam por 42,4% dos negócios e 47,6% dos valores.

O sócio do De Vivo, Whitaker e Castro Advogados Renato Chiodaro, está otimista e acredita que este ano as operações devem superar 2014. Segundo ele o Brasil está mais barato em razão da depreciação do real, o que acaba contribuindo na decisão do investidor ao medir os riscos da transação. Além disso, o profissional lembra que as incertezas estão diminuindo quando comparadas a 2014. “Hoje o cenário é melhor. Temos várias iniciativas positivas, o plano de austeridade fiscal, redução da volatilidade, tudo isso acaba impulsionando o investimento”, diz.

Chiodaro lembra que o brasileiro desacostumou a reagir a crises. “A estabilidade econômica recente acabou acomodando o brasileiro. O empresário não tem o mesmo apetite para responder rapidamente a crises, como acontecia há 30 anos. Agora, a crise é um balde de água fria na estabilidade. É uma queda de padrão”, afirma, acrescentando que enquanto isso, o estrangeiro está mais otimista. “O estrangeiro está fora e enxerga o cenário atual como grande oportunidade”, diz.

Para o profissional, os setores de tecnologia da informação (TI) e varejo devem registrar várias transações ao longo do ano. “TI continua sendo um grande negócio. Vai ter um grande movimento neste setor. Varejo vive de controle de fluxo de caixa muito próximo e quando tem crise o fluxo acaba, o que deve levar a consolidações”, estima.

Para o sócio coordenador da área de fusões e aquisições de TozziniFreire Advogados Darcy Teixeira Junior, outra área que tem grande potencial para fusões e aquisições é da saúde privada – hospitais e clínicas. Isso porque, no início do ano a presidente Dilma Rousseff sancionou medida provisória que permite investimentos estrangeiros nos serviços de saúde, como clínicas e hospitais. “A nova lei deu segurança, abrindo muitas possibildiades de negócios neste setor. É um opção quente para aquisições e isso deve acontecer antes do fim do ano”, diz.

E a primeira operação no segmento aconteceu no final do mês passado, quando o fundo de private equity Carlyle confirmou a compra de uma fatia da rede de hospitais D’Or. A família Moll, fundadora da Rede D’Or, permanecerá como acionista majoritário e o BTG Pactual continuará detendo sua participação minoritária.

Para Junior, esse setor deve repetir o movimento que foi verificado no setor de educação há algum tempo. “Vai ser um movimento interessante. Era um segmento em que os players até então eram os mesmos, os fundos estrangeiros não podiam investir. Com a abertura, deve acontecer um movimento parecido com o que ocorrido na educação, uma comprando a outra. Hoje o mercado é bem consolidado”, avalia.

O autor do blog Fusões e Aquisições e sócio da Acquisitions Consultoria Empresarial Ltd Ruy Moura avalia ainda que os fundos de venture capital e private equity devem investir mais fortemente no segmento este ano. “As operações serão maiores este ano porque esses fundos estão bem capitalizados e os IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) estão muito fracos”, afirma. Muitos fundos buscam os IPOs como desinvestimento.

Fonte: Brasil Econômico

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